Ney Matogrosso apresenta nova turnê em Salvador em maio

“Mais um passo em frente”. É assim que Ney Matogrosso vê sua nova turnê, Atento aos Sinais, que estreia nesta sexta-feira, 8, em São Paulo e passa por Salvador no dia 31 de maio. No ano em que completa 40 anos de carreira, Ney se mostra avesso a comemorações, do mesmo modo que ignorou os apelos para que celebrasse em 2011 seus 70 anos. “Não é nada comemorativo. Por acaso é um show que eu estou fazendo. Estou seguindo a minha vida”, disse na coletiva de lançamento, terça-feira, no Hotel Emiliano, na cidade de São Paulo.

O show, que tem como principal marca a sonoridade pop rock, foi selecionado pelo edital nacional do programa Natura Musical, que vai patrocinar seis apresentações da turnê e a gravação de um disco homônimo.

“Eu faria sem o patrocínio, mas com ele temos uma folga, podemos levantar uma superestrutura, não precisamos fazer 30 shows pra pagar a produção. É confortável”, acredita Ney, que pela primeira vez na carreira terá patrocínio.

Ordem inversa – Nos últimos anos Ney Matogrosso tem invertido a ordem dos trabalhos.  “Eu prefiro cantar primeiro e depois gravar. Em todos os shows descubro uma possibilidade. Quero deixar ficar bem madurinho, porque ninguém estreia 100% como será. Estou me sentindo tateando para estrear em São Paulo”. Seguindo a lógica, quando passar pelo Teatro Castro Alves na cidade de Salvador, em maio, certamente o cantor estará mais à vontade.

O repertório de Atento aos Sinais já estava praticamente pronto há um ano e, para o cantor, difícil vai ser escolher quais das 19 músicas irão para o álbum. Com direção musical de Sacha Amback (que também assume os teclados), Ney interpreta  compositores consagrados e novos, como Paulinho da Viola, Caetano Veloso, Itamar Assumpção, Criolo, Vitor Ramil, Vitor Pirralho e Dani Black.

“Queria algo estranho, não só músicas de clássicos. Estou colocando na roda várias pessoas que não são conhecidas do grande público, só em seus estados. Roendo as Unhas, de Paulinho da Viola (1973), as pessoas também não conhecem. Para mim são inéditos”, diz.





O intérprete se aproximou do público jovem (também interessado pelo Secos & Molhados) depois dos shows e CD em que cantou Cartola, no início dos anos 2000. O diálogo continuou por meio do contato com músicos novatos: no ano passado Ney fez participações em shows do rapper Criolo e das bandas Zabomba e Tono.  “Eu chego do meu jeito. Às vezes acho que alguém há de me estranhar. Mas não houve estranhamento”, conta sobre a performance com Criolo.

Do Secos & Molhados, Ney cantará na turnê O Amor. “Vou fazer uma gracinha. Secos & Molhados é meu passado. Isso aqui é meu presente, meu futuro imediato”.

Performático – Atento aos Sinais traz de volta aos palcos o Ney Matogrosso performático, de figurino deslumbrante (incluindo o habitual par de botas de salto 8 cm) e maquiagem carregada, que andou ausente nos últimos trabalhos. “Aqueles figurinos que eu gosto, salientes, com pouca roupa. Eu tiro a roupa e fico com uma camisetinha decotada”, assim explica as peças costuradas no próprio corpo por Ocimar Versolato, com quem trabalha desde 1994, em parceria com Milton Cunha e Marta Reis.

Criado por Luis Stein e Milton Cunha, o cenário do novo show é moderno e conta com iluminação do próprio Ney Matogrosso, definida por ele como “uma luz de rock’n’roll”. O primeiro emprego dele quando chegou ao Rio de Janeiro no final dos anos 1960 foi justamente como iluminador da Sala Cecília Meireles. “O trabalho era segurar o canhão de luz para novos artistas da época, Caetano Veloso, Paulinho da Viola”, lembra.

“Eu não gosto de usar coisas da moda. Relutei muito em  usar LED, mas só usei porque não é aquilo convencional”, revela sobre o painel onde são projetadas imagens que se relacionam com as letras das músicas cantadas.

“Por exemplo, em Vida Louca (composição de Lobão imortalizada na voz de Cazuza) usamos só imagens minhas. Já que estamos falando que eu vivi uma vida louca. Não que eu seja louco, não me considero louco, mas a minha vida é uma vida engraçada”, conclui sorrindo.

Neste  projeto pop e rock,  o cantor estará acompanhado por Sacha Amback, Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Almeida e Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes (trompete) e Everson Moraes (trombone).

Fonte: Tarde Uol





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